Um blog cheio de mimimi, com um título sem sentido e um template sem qualquer originalidade.


03 Dezembro, 2011

Meninas e seus corações

Foi-se o tempo em que líamos textos incendiários de nossa alma. Agora são eles apenas fagulhas  de um fogo no qual queremos dançar ao redor, pular por cima, passar pelo meio, fazer qualquer coisa, exceto apagá-lo. Que fogo é esse que nós buscamos? Se ele não estava em nosso primeiro namoradinho, nem em nosso primeiro beijo, nem em nosso primeiro andar de mãos dadas, aonde mais poderia ele estar? É porque queremos um fogo perene, ardido, e estas primeiras fantásticas iniciações ainda são pouca madeira para suprir o tanto que a chama precisa. Mas não tenhamos pressa, que o fogo vem, o fogo veio, e como ele queima. É uma coisa insuportável que não cabe em nós, que não cabe no mundo, e então nos jogamos como desesperadas de uma altura elevada, privilegiadas nos sentimos.

Mas esse privilégio, um dia, já nos arrancou um pedaço de carne, um órgão do nosso corpo, uma essência de nossa alma. O fogo depois ficou baixinho, baixinho, lá vinha o inverno, o universo não conseguiria, ainda que tentasse, nos prevenir contra ele. Apenas nossa mente psicodélica e nossa pele marcada sabem o que foram aqueles dias. Deles a gente nunca se esquece, deles a gente nunca se desvencilha até ao mais profundo. E então de meninas a moças, de moças a mulheres, de mulheres a resultados, nós nos tornamos. Nós passamos em brasas agora, neste exato instante, todos os dias, a cada elogio transfigurado, a cada lembrança destinada ao passado, ao presente e ao futuro. Dizemos, proclamamos: nós superamos. Superamos o quê? Olhemos nossos pés e mãos, nossas cicatrizes, tudo o que fizemos e tudo o que nos fizeram. Não queiramos que tudo esteja vencido. Façamos daqueles dias um caminhar lado a lado, uma conversa íntima para que entendamos por favor alguma verdade, algum sentido, para descobrirmos o jeito de não fazer de novo, de não cometer de novo. Mas ainda não tenhamos pressa, que de todo esse fogo ainda só vislumbro a fumaça do incêndio maior. O calor mais forte, solar, virá de uma desprofecia romântica, de um inesperado que, se não agarrado com as unhas, de nossa existência se dirá: viveram um pouco, não tudo. 

Eu e ele agora, neste momento. Ele compreende meu fogo, ele é corajoso para se queimar. Ele me disse sim diante de circunstâncias perigosas, dentro de toda a incandescência de minha história difícil, estranha, incompleta, errada. E eu o amo, o respeito e o admiro. Há apenas um fogo que considero eterno: o incondicional.










Que nunca se apague.



27 Novembro, 2011

Parênteses

Se eu pudesse voltar ao passado, o que eu mudaria? Coisa nenhuma, pois já passou, não está mais. Tudo o que foi amado, tudo a que eu fui entregue, foram para que eu chegasse neste dia. Todas as lágrimas, e noites frias, e o aperto no coração pela manhã, e os "nãos" que recebi, e minhas fases boas e ruins, tudo, tudo, toda a dor, tudo o que acabou, todas as coisas do meu mundo se perderam para que eu me sentisse como me sinto. Leve. Para que eu conversasse com sapatinhos de bebê, com roupinhas miúdas, por horas inteiras.

Escrever seja lá o que for tem me feito bem, é o tempo que eu tenho para tentar organizar tanta coisa nova, e para constatar uma vez mais que não dá pra continuar sendo o que se foi. Tenho uma nova família, e está tudo tão verdinho, tão delicado ainda, com cheiro de terra molhada depois da chuva, de roupas com amaciante, de lasanha saindo do forno. E são tantas expectativas e tantos sonhos que preciso me aquietar um pouco, curtir o que está acontecendo, me sentar e ser feliz sem mais nada, porque eu já tenho tudo, mesmo sem merecer.

Estou em fase de provas na faculdade, sem muito tempo para escrever. Mas as historinhas continuam pipocando na cabeça. Um bjo, bloguinho, depois a gente se vê. O próximo texto será em homenagem ao amor de minha vidinha. =p

20 Novembro, 2011

Uma serenata para Maria Leão

Jesus! Maria! José!
Ó pessoa desafinada que vem à minha janela me fazer uma serenata!
Me flagra de cabelos crespos, roupa amarrotada e bafo de leão,
remela nos olhos, unhas descascadas, pé e chulé,
vou até este insano lhe dizer o que é.
Que é para ele aprender a não tentar seduzir uma dama assim, desprevenida desta maneira e qualidade, dormindo no mais alto dos sonhos, roncando tal qual grilos em coro. 
Dizer a ele que compromisso não quero, um homem a tiracolo não peço, ele que não se tire a besta de...

"...Perdão, se ouso confessar-te eu hei de sempre amar-te...
Ó flor, meu peito não resiste,
ó meu Deus o quanto é triste
a incerteza de um amor que mais me faz penar
em esperar em conduzir-te um dia ao pé do altar..."


...mas por favor, pare com esta cantoria! Que os vizinhos já acordam,
que o mundo já me cobra que eu  participe de um romance,
que eu largue de ser excluída, ostra, reclusa, difícil.

Mas espere, moço desafinado, não sinta as dores de minhas patadas cavalares, não agora, me sinto só. A quem desprezarei? E quem a mim retornará? Se com ternura te recebo, por qual motivo me amarias? Não desejo retribuições, pois estas se mal acostumam, tornam-se exigentes, esquecem da pura boa vontade. Tratá-lo bem seria como adestrar a um animal, que deixa de ser animal, deixa de ser forte, torna-se tolo e folgado com a água e a sombra. Se quiser meus carinhos, deixe o amor para lá, então.

Vês? Sou impossível, impassível. Criança boba e mimada que pensa: Terei juventude e vigor para sempre! Apenas não posso recompensá-lo, pois o mérito do amor seria todo seu. Quero começar do marco zero, de um coração que nem sequer me nota, e a partir disto esmurrar tigres e ursos por cada pedaço, por cada pulsar do coração que eu decidir amar. Eu quero um mérito também para mim, porque também sou fera, e caço a presa observada até que ela se renda, suspire. Fica comigo, mas guarde sua serenata. Que ela é bonita demais para meus instintos agressivos. Moço desafinado, não pretendo alimentá-lo, protegê-lo, guardá-lo. Eu quero  a caça, quero a luta, quero a presa. E que esta presa, já com a jugular encaixada em meus dentes, lá no profundo de seu olhar, me ame. Menos do que isso seria infeliz, incompleta. Menos do que isso seria apenas uma retribuição.

19 Novembro, 2011

Dialeto

Pororó, tuco tuco, xizzzz, ribana teclovski, redifun, saueri, melacolexa, chusman.

Se ela pudesse, inventaria um dialeto. Assim conseguiria falar sobre seus sonhos.

12 320304000000-1    47747  45   4785778/0001-7   000000000005  00 2388434634637826

Se ela pudesse, escreveria em sequências numéricas.




















Se ela pudesse, se expressaria de mil e outras maneiras.

Pássaro amor barriga tudo sei  não sei ao lado  feche a porta economia  marrom-branco-lilás aliança trabalho  que alegria  sabedoria   melhores dias de minha vida.

Pressupõe tão absoluta nobreza, ó certeza? Vens desautorizada,
 viciada,
 ensaiada,
 enjoada,
 peço que saia.

Vá, não se demore, que o dia mal começa e já sinto saudade de nós, pois que a felicidade é um dormir e acordar sem saber dos entre-meios, é sentir uma vibração vez ou outra como um arrepio de algo bom, simples, doce e por vezes (porque não?) duvidoso, incerto mesmo, o que se quer mais da vida?

Se ela pudesse, ela teria um dialeto, bobinho assim, sem muitos detalhes e riquezas assim, só para escrever músicas incompreensíveis de melodia boa, só para conversar com a filhinha em código secreto, só para amar do seu jeito.

E então...um dia...ela o inventou. Inventou o tal dialeto.

Inventou e ainda inventa, devagarzinho. Terilofu-perdão a quem o dialeto não foi ensinado. Mas é que é só para as pessoas fagatéfi-eternas no coração. E as não-eternas, deixou-as belas
no cantinho
da gaveta
da chave
do cofre
de um lugar que muito lhe importa.
whatever...

anywhere...


Guvinoteka, xeiquinvo, tsobe,
rakabon, telidesjo, 
amor, Amor, há mor, a-m-o-r, amor, amor, amor, amor, como te escrever, como te descrever, como te ser, como te dizer, como te fazer, quem é você?
Estás em mim.