Um blog cheio de mimimi, com um título sem sentido e um template sem qualquer originalidade.


20 Novembro, 2011

Uma serenata para Maria Leão

Jesus! Maria! José!
Ó pessoa desafinada que vem à minha janela me fazer uma serenata!
Me flagra de cabelos crespos, roupa amarrotada e bafo de leão,
remela nos olhos, unhas descascadas, pé e chulé,
vou até este insano lhe dizer o que é.
Que é para ele aprender a não tentar seduzir uma dama assim, desprevenida desta maneira e qualidade, dormindo no mais alto dos sonhos, roncando tal qual grilos em coro. 
Dizer a ele que compromisso não quero, um homem a tiracolo não peço, ele que não se tire a besta de...

"...Perdão, se ouso confessar-te eu hei de sempre amar-te...
Ó flor, meu peito não resiste,
ó meu Deus o quanto é triste
a incerteza de um amor que mais me faz penar
em esperar em conduzir-te um dia ao pé do altar..."


...mas por favor, pare com esta cantoria! Que os vizinhos já acordam,
que o mundo já me cobra que eu  participe de um romance,
que eu largue de ser excluída, ostra, reclusa, difícil.

Mas espere, moço desafinado, não sinta as dores de minhas patadas cavalares, não agora, me sinto só. A quem desprezarei? E quem a mim retornará? Se com ternura te recebo, por qual motivo me amarias? Não desejo retribuições, pois estas se mal acostumam, tornam-se exigentes, esquecem da pura boa vontade. Tratá-lo bem seria como adestrar a um animal, que deixa de ser animal, deixa de ser forte, torna-se tolo e folgado com a água e a sombra. Se quiser meus carinhos, deixe o amor para lá, então.

Vês? Sou impossível, impassível. Criança boba e mimada que pensa: Terei juventude e vigor para sempre! Apenas não posso recompensá-lo, pois o mérito do amor seria todo seu. Quero começar do marco zero, de um coração que nem sequer me nota, e a partir disto esmurrar tigres e ursos por cada pedaço, por cada pulsar do coração que eu decidir amar. Eu quero um mérito também para mim, porque também sou fera, e caço a presa observada até que ela se renda, suspire. Fica comigo, mas guarde sua serenata. Que ela é bonita demais para meus instintos agressivos. Moço desafinado, não pretendo alimentá-lo, protegê-lo, guardá-lo. Eu quero  a caça, quero a luta, quero a presa. E que esta presa, já com a jugular encaixada em meus dentes, lá no profundo de seu olhar, me ame. Menos do que isso seria infeliz, incompleta. Menos do que isso seria apenas uma retribuição.

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